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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Imperialismo e a Primeira Guerra Mundial

          Ao findar o século XIX, a Inglaterra já não era a única potência industrial. Os países que se industrializaram nesse período incorporaram tecnologias mais avançadas, e algumas indústrias inglesas passaram a ser consideradas "velharias" da Primeira Revolução Industrial. Alemanha, Itália, França, Bélgica, Rússia, Japão e Estados Unidos competiam com igualdade e até superioridade com a indústria inglesa. Todos queriam ampliar mercados e fontes de matérias-primas, ocupando territórios para apoiar o desenvolvimento industrial crescente.
          O desenvolvimento do capitalismo nesse novo contexto contou com a ação direta do Estado para a conquista de territórios e a ampliação da área de influência dos grandes monopólios industriais e financeiros. Os países industrializados lançaram-se, então à conquista de novas colônias ou reforçaram o controle sobre as já existentes, num processo que ficou conhecido como neocolonialismo.
          O neocolonialismo correspondeu à exploração econômica e à dominação política exercidas pelas potências imperialistas, ao longo do século XIX e início do século XX. Representou uma nova divisão econômica e política do mundo, que resultou: na partilha da África pelas potencias europeias; na partilha da Ásia entre França, Inglaterra, Rússia e Japão e na forte influência sobre o destino político e econômico dos países latino-americanos, principalmente pelo Estados Unidos.
          A conquista dessas novas colônias não ocorreu sem conflitos. Em alguns casos houve resistência às invasões. Em outros, os territórios eram disputados por diferentes potências, gerando uma situação de permanente tensão internacional durante durante a expansão do imperialismo. De fato, o acirramento das disputas entre os impérios neocolonialistas levou à deflagração das duas maiores guerras ocorridas na história da humanidade: a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, e a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945.

          O aprofundamento das rivalidades levou à formação de alianças militares que dividiram os países europeus em dois blocos. Em 1882, Itália, Alemanha e Áustria-Hungria formaram a Tríplice Aliança e, em 1907, Grã-Bretanha, França e Rússia estabeleceram a Tríplice Entente.
          Nesse período o império Turco-Otomano se encontrava em processo de desagregação. Na península dos Bálcãs (sudeste da Europa), a Bósnia-Herzegovina, a Croácia e a Eslovênia, que antes estavam sob domínio turco-otomano, foram incorporadas pelo Império Austro-Húngaro. A região balcânica passou a ser uma frente de disputa com a Sérvia, que pretendia estender seu domínio por toda a península.
        Em junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro, foi assassinado em Sarajevo, capital da Bósnia, por um estudante pertencente à sociedade secreta Mão Negra. Esse grupo era formado por nacionalistas sérvios que se opunham à presença austro-húngara nos Bálcãs. O assassinato foi interpretado pelo Império Austro-Húngaro como uma agressão sérvia, tornando-se o estopim da Primeira Guerra Mundial.
          Na Primeira Guerra, a Alemanha e a Áustria-Hungria, que formavam, junto com a Itália, a Tríplice Aliança (com apoio posterior da Turquia e da Bulgária), opuseram-se aos países que formavam a Tríplice Entente (Rússia, França e Grã-Bretanha). A Itália declarou neutralidade num primeiro momento e, mais tarde, entrou na guerra, junto com o Japão, ao lado da Tríplice Entente, lutando contra seus ex-aliados.
          A guerra causou profundas transformações no espaço geográfico mundial no início do século XX. Os países europeus tiveram forte retração da produção industrial e agropecuária, que os levou a depender basicamente dos Estados Unidos para se abastecer e se organizar economicamente.
         Em 1917, os norte-americanos declararam guerra à Alemanha e entraram no conflito. Em julho de 1918, as tropas da França, da Grã-Bretanha e dos EUA realizaram uma investida decisiva, obrigando à capitulação da Áustria-Hungria, Bulgária e Turquia. Para a Alemanha, a guerra só terminaria meses depois com a abdicação do Kaiser e a redenção do país.

Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco, Cláudio Mendonça. Território e Sociedade no Mundo Globalizado - Editora Saraiva

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