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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A CIÊNCIA, O ESTADO, A SOCIEDADE, A ÚNICA DIVINDADE DO HOMEM É O PRÓPRIO HOMEM

O século XIX foi marcado pela discussão sobre o papel do homem na sociedade e sobre a sua capacidade de substituir Deus, tendo como principal influência os pensamentos de Comte, Marx e do romanticismo.
Auguste Comte dividia a história em três fases: a religiosa, a metafísica e a científica. Na primeira o homem usava os mitos e as causas sobrenaturais para explicar os acontecimentos, na segunda as explicações eram feitas através da filosofia e na terceira o homem explica tudo através da análise dos fatos.
Segundo Comte, a ciência veio para libertar o homem da religião. Religião que ele enxerga como prejudicial, pois impede o aprimoramento da ciência e impede que o homem descubra seu poder sobre o mundo para afastar a dor e propiciar o prazer. O homem neste momento entende que não precisa mais de Deus e que pode sozinho compreender e explicar o mundo através da ciência.
Hegel também foi importante nesse período, e como contribuição trouxe o pensamento do crescimento independente da razão, pois para ele a razão humana era plenamente capaz de enxergar em um acontecimento a raiz de seu oposto e uma forma de superação. No que diz respeito a Deus, Hegel o via como o Cosmo Racional, como a racionalidade presente no universo, para ele um estado bem organizado era a representação dessa racionalidade cósmica.
Marx teve uma contribuição muito forte neste período, que por sua vez era mais direcionada ao trabalho, mais especificamente ao trabalho alienado que vinha ocorrendo no capitalismo. Quanto a Deus, Marx entende que ele não existe, o verdadeiro deus para ele seria o conjunto das mentes humanas, que representaria uma força muito poderosa e que quando algo impede os homens de desenvolver os poderes da mente, como razões econômicas e políticas, os mesmos projetam essas capacidades numa entidade fantasmagórica chamada Deus.
Marx via a religião como um exemplo de alienação, ele entendia que a religião havia ensinado o homem a se vender a algo ou alguém, pois assim como o homem se acostumou a ser dominado pela religião, ele também aceitou ser dominado pelo patrão. Vendendo a sua capacidade de pensar, decidir, realizar o belo e viver um pelo outro em troca de um mísero salário, restando-lhe uma mísera existência.
Neste século XIX, que foi chamado de século da impiedade devido ao desrespeito aos deuses e a tradição familiar, surgiu uma nova religião, influenciada pelo grande clamor deste período, que dizia que o homem não precisava de Deus e era plenamente capaz de substituí-lo, chamada de racionalismo e seus seguidores eram chamados de racionalistas. Eles criam na razão como um único deus e como o único caminho para desvendar os mistérios do homem e do universo.
Uma outra linha de pensamento que também influenciou bastante esse período foi o romanticismo, que tinha como filosofia a procura do belo e do infinito. Para o romântico, a arte é veículo do infinito e mística religiosa, para eles, apenas na religião encontra-se a única explicação para o sentido da morte. O romântico agarra-se a religião cristã, escada que o leva e o liga ao Infinitivo eterno, ele entende que a religião é intuição e sentimento do Infinito. O homem dos românticos, também era racional, porém, guiado pela intuição e pela beleza, ele entendia que “somente o olho religioso penetra no signo da verdadeira beleza” (Fichte,1762-1814).
Por fim, Nietzsche trouxe grandes influências e indagações para esse período. Sua maior preocupação era com os valores do homem, ele acreditava que Deus estava definitivamente morto e com isso não fazia o menor sentido para ele, a sociedade continuar seguindo os valores cristãos. Ele também era contra a religião racionalista, pois dizia que os historiadores e cientistas se ajoelhavam diante do fato adorando-o. Nietzsche era contra tudo o que fazia o homem se subordinar a algo ou a alguém, ele lutava para que os homens recriassem os valores do além-homem em busca da liberdade. Seus pensamentos foram tão influentes que de 1800 em diante a caneta libertária dos escritores, ensaístas e romancistas, passou a atacar também o código de morte das relações burguesas e, com elas, qualquer conservadorismo fundado no domínio do homem sobre outro homem.

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