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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Islamismo e história da Arábia

Enquanto o cristianismo consolidava-se no mundo bizantino, em uma região do Oriente médio – a Arábia – os povos que ali viviam se uniram em torno de um profeta (Maomé) e de uma nova religião (o islamismo).
Nos séculos seguintes, a cultura árabe-islâmica expandiu-se pelo Oriente médio e regiões do Mediterrâneo. Isso impactou a arquitetura, a culinária, a música e a língua em diversos lugares.


Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, as raízes do islamismo vêm do profeta Abraão. O profeta Maomé, fundador do islamismo, seria descendente do primeiro filho de Abraão, Ismael. Moisés e Jesus seriam descendentes do filho mais novo de Abraão, Isaac. Abraão, o patriarca do judaísmo, estabeleceu as bases do que hoje é a cidade de Meca e construiu a Caaba - todos os muçulmanos se voltam a ela quando realizam suas orações, é o principal local sagrado do islamismo. Para os muçulmanos, o islamismo é a restauração da fé de Abraão.


A história do islamismo confunde-se com a história da Arábia. A civilização árabe-islâmica surgiu e irradiou-se a partir da península Arábica, situada no sudoeste da Ásia, por volta do (c. século VI). A Arábia não teve unidade política até o século VII, viviam na península Arábica diversos povos, organizados em tribos ou clãs. Os árabes ligavam-se uns aos outros apenas pelo laços de parentesco e por elementos culturais comuns – falavam  o mesmo idioma (apesar das variações regionais) e possuíam as mesmas crenças religiosas (eram politeístas, adorando centenas de divindades).
Na cidade de Meca, havia um templo conhecido como Caaba (“casa de Deus”), que reunia os ídolos (estátuas) das principais divindades cultuadas pelos árabes. Na Caaba, encontrava-se também a Pedra Negra (provavelmente um pedaço de meteorito), venerada pelos árabes, que acreditavam ter sido milagrosamente trazida do céu por um anjo.
A existência desse templo na cidade de Meca fazia dela um importante ponto de convergência de fiéis, colaborando para que ela se tornasse também o principal centro comercial dos árabes. Nos períodos de paz, a cidade transformava-se num movimentado ponto de encontro, recebendo pessoas e mercadorias de diversas regiões. Nela, realizavam-se grandes negócios comerciais.


A construção do Estado árabe iniciou-se com Maomé (570-632), um mercador da cidade de Meca que fundaria o islamismo, religião monoteísta cujos seguidores também são chamados de muçulmanos.
Segundo a tradição islâmica, aos 40 anos de idade Maomé (“o mais louvado”) teria sido escolhido por Deus para ser o último profeta enviado a humanidade. Maomé reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos conhecido como Corão - segundo ele, as escrituras foram reveladas a ele por Deus por intermédio do Anjo Gabriel.
Quando iniciou suas pregações, Maomé dizia que os ídolos da Caaba deviam ser destruídos, pois havia um só deus criador do universo, Alá. Isso provocou a reação dos sacerdotes de Meca, já que, além de atacar a religião que eles representavam, o profeta poderia prejudicar o comércio gerado pelos rituais politeístas na cidade. Obrigado a deixar Meca em 622, Maomé, refugiou-se em Yathrib (posteriormente denominada Medina, “a cidade do profeta”). Esse episódio é chamado de Hégira (palavra de origem árabe que significa “emigração”) e marca o início do calendário muçulmano.
Maomé e seu seguidores difundiram a nova religião em Medina e organizaram um exército de fiéis. Em 630, conquistaram Meca e destruíram os ídolos da Caaba, Maomé perdoou os inimigos e iniciou a consolidação da religião islâmica. A partir daí o islamismo expandiu-se pela Arábia, e os diversos povos foram se unificando em torno da nova religião.

Assim, por meio da identidade religiosa, criou-se uma nova organização política e social entre eles e formou-se o Estado muçulmano, de governo teocrático. Após a morte de Maomé, em 632, o Estado muçulmano passou a ser governado por califas, quem concentrava os poderes religioso, político e militar.

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