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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Militares no Poder


A ruptura com o regime democrático
Logo após a deposição do presidente João Goulart, em 2 de abril de 1964, Ranieri Mazzilli - que ainda era o presidente da Câmara dos Deputados - assumiu pela segunda vez, de maneira interina, a presidência da República. No entanto, o controle político do país ficou sob a direção geral das Forças Armadas.
Cada uma de suas corporações (Exército, Marinha e Aeronáutica), no mesmo dia 2 de abril, indicou um representante, e formou-se o comando militar que conduziria o país durante duas semanas - era o autodenominado Comando Supremo da Revolução. Segundo os novos comandantes do país, a intervenção militar seria de caráter provisório, tendo como principais finalidades:
Restabelecer a ordem social;
Conter o avanço do comunismo e da corrupção;
Retomar o crescimento econômico.
Mas não foi provisória a supressão da legalidade democrática. Durante 21 anos, a sociedade brasileira viveu sob o comando de presidentes militares impostos pelas Forças Armadas. Até 1985, dois marechais e três generais se sucederiam na presidência da República: Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.

Autoritarismo
Uma das características dos governos militares foi o autoritarismo: de modo geral, seus membros não se mostraram dispostos a dialogar com os diversos setores da sociedade.
As diferenças entre o regime representativo, vigente entre 1945 e 1964, e o regime militar são claras. Quem manda agora não são os políticos profissionais, nem o Congresso é uma instância decisória importante. Mandam a alta cúpula militar, os órgãos de informação e repressão, a burocracia técnica do Estado.
Por meio dos chamados Atos Institucionais (AI), os governos militares foram restringindo as liberdades democráticas. Desde o início, impuseram censura aos meios de comunicação, como rádio, televisão, jornais e revistas. Muitos brasileiros que se opunham a essa situação foram perseguidos, exilados, torturados ou mortos pelos órgãos de repressão política.

Desenvolvimentismo e concentração de renda
Outro aspecto que caracterizou os governos militares foi o abandono do nacionalismo reformista que marcou o último governo de Vargas e o governo de Goulart. Em seu lugar, foi adotado um modelo econômico desenvolvimentista, baseado na aliança entre três grandes grupos:
A burocracia técnica estatal (militar e civil);
Os grandes empresários estrangeiros;
Os grandes empresários nacionais.
Esse modelo conduziu à modernização da economia, mas também à concentração de renda nas classes altas e médias e à marginalização da classe baixa.


História Global Brasil e Geral - Gilberto Cotrim - Editora Saraiva